por Carlos Gomes:

CASAMENTO TRADICIONAL
(Trás-os-Montes)

A representação é feita pelo Grupo de Danças e Cantares "O Cantaréu", de Vila Real. Trata-se de mostrar como antigamente os noivos se vestiam e seguiam para a igreja a fim de selar as suas vidas com o matrimónio. E, sobretudo, o quanto tal cerimónia representava para a comunidade e todo o ambiente festivo que o envolvia.
Presos ao jugo, os dois "camaradas" puxam o carro enfeitado onde vão os noivos. São dois espécimes de pura raça mirandesa que vão garbosos do seu cabeção. Em lugar dos foeiros e do estadulho foram colocados arcos enfeitados de flores coloridas. O noivo leva consigo um pequeno barril e a noiva uma cesta com guloseimas, as quais se destinam a presentear os acompanhantes ou quem ao longo do trajecto lhes deseja as felicidades.
E, o pesado carro de bois lá vai ronceiro, fazendo a sua já costumeira chiadeira que desperta a atenção de quem passa. Atrás seguem os acompanhantes que, não raras as vezes, formava um cortejo constituído por quase toda a gente da aldeia. É que, bem vistas as coisas, é difícil encontrar entre a comunidade alguém que não possua algum laço de parentesco, mesmo ténue, em relação aos noivos. E, quando tal se verifica, é porque as relações são de amizade ou compadrio. Quanto aos noivos, convém lembrar que o facto de não terem ido a pé lhes confere outro estatuto na comunidade.



* Nesta região, é habitual designar-se por "camaradas" 
os dois bois que vão ao jugo.

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